terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


Derrubando mitos do filho único - Parte 2


Outro motivo importante da redução de tamanho das famílias é a entrada da mulher no mercado de trabalho, algo incompatível com uma prole numerosa. “As pesquisas mostram que a maioria dos lares com filhos únicos é composta por casais com dupla renda”, diz José Eustáquio Diniz Alves, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até a idade adulta, o gasto com a criação de um filho pode chegar a R$ 1,6 milhão para famílias com renda de R$ 25 mil e nada desprezíveis R$ 400 mil para famílias de renda entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, de acordo com a consultoria Invent (leia na pág. 63). Ao colocar na ponta do lápis os gastos da primeira gravidez, a jornalista carioca Maria Fernanda Delmas decidiu lançar o livro “Olha Quem Está Poupando” (Ed. Elsevier), em que orienta os pais a controlar os gastos. “Ao decidir ter um filho, o casal deve conversar sobre as implicações para o bolso. Três gastos saltam muito: empregada doméstica, creche ou escolinha e saúde”, afirma.



Sem restrições financeiras para formar uma família, a enfermeira Elaine Dominicis Dias Pereira, 43 anos, sonhava com uma casa cheia. Mas ao tentar engravidar, aos 30 anos, descobriu que precisaria da ajuda de tratamentos de fertilidade. Foram várias tentativas frustradas du­rante quatro anos até que ela finalmente engravidou quando morava nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, ela se controla para não mimar Victoria, 11 anos. Da escola à aula de equitação, a menina está tendo a melhor educação possível para que se torne, nas palavras da mãe, “uma pessoa sociável e de bom coração”. Para isso, Victoria acompanha Elaine em um projeto social e vende brigadeiros para arrecadar brinquedos para as crianças no Natal. “Essa é a liberdade que você dá para o filho único. Ela tem iniciativa, e pago para ver onde vai dar”, diz Elaine. Mas nas negociações familiares, a menina quase sempre ganha a mãe na lábia. “Ela tem senso de liderança”, derrete-se.


Ao contrário de Elaine, que desejava ter mais filhos, a educadora Elisângela Hernandes, 29 anos, no sétimo mês de gravidez, está convicta de que esta será sua única gestação. Ela e o marido planejaram detalhadamente a experiência. “É um aprendizado nosso, entender o filho, o que significa cada choro.” Especialistas explicam que, com um acesso cada vez maior ao planejamento familiar, cresceu a expectativa sobre a experiência da maternidade. “As pessoas desejam que ela ocorra de forma idealizada: o quarto perfeito, o momento ideal, o companheiro certo”, diz a psicanalista Diana. “Muitos filhos únicos são tidos únicos na expectativa de que seja produzida uma experiência ideal e que seja um fardo menor”, afirma.



O lado mais sombrio da geração de filhos únicos está no envelhecimento. Na fase adulta, eles terão de lidar sozinhos com os cuidados e a perda dos pais. “É muito pesado não ter com quem dividir o fardo do cuidado”, afirma Diana. Filho único, o técnico carioca Alessandro Cardoso, 33 anos, decidiu reproduzir sua experiência com o filho, Erik, 5 anos. “Minha mãe tinha dedicação duplicada comigo, mas não cheguei a ser mimado”, recorda. “O problema foi a partir dos 12 anos, quando comecei a sentir falta de irmão mais velho, alguém que pudesse me orientar, servir de referência”. Fazendo um balanço geral, ele acredita que ser filho único teve mais fatores positivos do que negativos. Sua opção por não dar irmãos a Erik se deve às exigências da vida moderna. “Eu e minha mulher trabalhamos o dia todo. Já é difícil dar atenção a um filho, imagine a dois.” Embora mais tranquila, a opção ainda é alvo de críticas. “Mais do que os amigos, irmãos ajudam a aprender a dividir as coisas, lidar com frustrações e conviver”, afirma a terapeuta familiar Marina Vasconcellos. Famílias com uma única criança tendem a ser mais estáticas também. “Ter mais pessoas implica ampliar o repertório familiar”, afirma a terapeuta familiar Maria Amália Salles.



Mas ninguém deve resolver ter mais filhos por isso. Ou porque a criança pede insistentemente um irmãozinho. “Os pais têm o direito de decidir quantos filhos vão ter. Basta apenas que arquem com as responsabilidades naturais desse ato e usem dois elementos básicos: equilíbrio e bom senso”, afirma Tânia Zagury. Agindo assim, as chances de se criar pessoas saudáveis são muito maiores. Cabe aqui a velha máxima, tão usada na educação dos filhos, da qualidade em prol da quantidade.

Olha que legal a matéria da revista Isto É


Derrubando mitos do filho único - Parte 1

Esqueça os estereótipos sobre crianças que crescem sem irmãos. Especialistas garantem que elas podem se tornar adultos tão ou mais saudáveis do que aquelas que crescem em grandes famílias


Visto pelos colegas de escola como um ser solitário, até um pouco estranho, e observado pelos adultos à sua volta com um ligeiro ar de pena, o filho único era sinônimo de garoto mimado, egoísta e, por vezes, antissocial. De fato, representava uma exceção na família brasileira. Mas mudanças sociais e econômicas estão deixando a árvore genealógica nacional cada vez mais enxuta e as crianças sem irmãos avançam nas estatísticas e se tornam regra, sobretudo nos grandes centros urbanos. Se nos anos 1960 os casais tinham, em média, mais de seis filhos, hoje não chegam a dois por família (leia na pág. 65). A boa notícia é que o patinho feio virou cisne: especialistas afirmam que reinar soberano entre pai e mãe não torna a pessoa necessariamente complicada. Ao contrário, tende a garantir adultos mais bem formados e inteligentes.

Um dos motivos é a concentração de investimento no único rebento. A pesquisadora americana Judith Blake, por exemplo, concluiu em seu livro “Family Size and Acheivement” que os filhos únicos têm melhor desempenho escolar e se tornam adultos mais bem-sucedidos profissionalmente do que as crianças criadas em famílias grandes. A gerente administrativa Simone, 34 anos, e o administrador Carlos Miletic, 48, não conheciam a teoria de Judith, mas a aplicaram na prática quando decidiram ter apenas Carolina, 9 anos. “Com os gastos da primeira gravidez, comecei a considerar se queria ter um segundo filho”, diz Simone. Carol é uma criança “irrequieta, que vale por muitos”, segundo o pai, se beneficia da atenção integral dos dois e não pede irmãos. “Ela convive bastante com outras crianças, da escola e do prédio, vai brincar na casa das amigas, que vêm para a nossa também”, diz Miletic.


A conformação atual da sociedade contribui para derrubar o mito do filho único reizinho. Afinal, cada vez mais os pais prezam seus interesses pessoais. “O filho único acaba tendo que dividir seus pais com outras prioridades da vida deles. Então ele já não é tão soberano assim”, afirma a psicanalista Diana Corso, ela própria filha única, que vê uma virtude em crescer sem irmãos. “A experiência da solidão pode ser positiva”, diz. “A capacidade de estar só é um dos importantes momentos de constituição da identidade e da imaginação.” A professora Sylvia Tosta, 44 anos, mãe de Vinícius, 11, se surpreende a cada dia com o rico universo interior que seu filho está construindo. Para ela, o fato de ele não ter irmãos não quer dizer necessariamente que ele seja mais introvertido. “Não posso enquadrá-lo em nenhum rótulo. Vinícius tem suas próprias características, é sociável, aberto ao mundo”, descreve. A professora reconhece que no início agia de forma equivocada. “Minha tendência era colocá-lo numa redoma, mas ele é muito independente e me ensinou a fazer a coisa certa”, avalia.



O estereótipo do filho único problemático nasceu em 1896 com o livro “Of Peculiar and Exceptional Children”, do psicólogo americano Granville Stanley Hall. Nele, o especialista descrevia os filhos únicos como mimados, pouco sociáveis e desajustados irremediáveis. Por décadas, esse estudo influenciou outros pesquisadores, até que trabalhos mais recentes indicaram que não há diferenças significativas no desenvolvimento emocional dos filhos criados sozinhos daqueles educados entre irmãos. “Acreditava-se que, por ter apenas um filho, a mãe e o pai iriam superprotegê-lo de um lado e cerceá-lo de outro, o que poderia causar alguns transtornos”, afirma Tânia Zagury, filósofa e autora do livro “Educar sem Culpa”. Na verdade, pais podem ser indulgentes, superprotetores ou permissivos demais seja qual for o tamanho da prole. O problema é que, se forem superprotetores com uma criança só, isso pesa mais sobre os ombros do pequeno. Também há essa falsa ideia de que o filho único é mais solitário. “Conheço famílias em que os irmãos brigam constantemente e crescem sem falar uns com os outros. É tudo muito relativo”, diz Tânia.



Não há nada no histórico da instrumentista Ana Lúcia Miwa Kobayashi, 26 anos, que dê pistas de que ela tenha o estereótipo de filha única. Com um bom currículo escolar, a jovem estuda para ingressar no doutorado de música brasileira do século XX, toca piano e violoncelo, trabalha, sai com os amigos, namora – uma rotina na qual nada reflete o estereótipo de filha única. “Como era só eu, pude fazer todos os cursos que quis, todas as viagens que desejei. Mas meus pais pegavam muito no meu pé, principalmente em relação à escola”, afirma Ana Lúcia. “A gente não a criou como se fosse filha única, fomos linha-dura. A Ana não teve colher de chá”, completa o pai, Minoru Kobayashi, 63 anos.



Bom rendimento escolar costuma vir no pacote de características dos filhos únicos, de acordo com a psicóloga educacional americana Toni Falbo, que analisou os resultados de anos de testes padronizados que avaliavam habilidades matemáticas e de expressão verbal, comparando filhos únicos com aqueles de famílias maiores. A conclusão é que, no caso das crianças sem irmãos, a pressão vem de dois lados: junto com a cobrança dos pais, elas mesmas tendem a ser mais exigentes consigo mesmas, pois têm como referência os adultos ao redor. Um estudo de 2004 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul confirma a tese. O trabalho constatou que, entre os alunos que tiraram as melhores notas, havia uma porcentagem maior de filhos únicos.



Mas por que os lares brasileiros estão diminuindo de tamanho? Entre os motivos da queda da fecundidade está o processo de urbanização do País (com isso, há menos necessidade de filhos para atuar como mão de obra na lavoura) e o avanço da educação, que amplia o acesso a métodos contraceptivos. Nos países desenvolvidos, o processo está mais avançado. Joshua Goldenstien, diretor do Instituto de Pesquisa Demográfica Max Planck, na Alemanha, escreveu um artigo com a observação de que a próxima geração de pais austríacos e alemães será a primeira em que o filho único é a regra e não a exceção. Nos anos 1960, a Europa representava 20% da população mundial. Em 2060, é esperado que ela corresponda a apenas 7,5%.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Féria em trio

Tudo de bom as nossas férias de julho!!!! Fomos a Cabo Frio, à região dos lagos e a Angra dos Reis. Foi muito legal!!! Tiramos muitas fotos que depois eu vou postar aqui. Beijões, Aline.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Ter filho único é melhor ou pior?

Pesquisa revela que filho único não apresenta diferenças comportamentais relevantes, quando comparados a filhos que têm irmãos. Porém, um dado surpreendeu os pesquisadores: filhos sem irmãos se identificaram menos com a prática heterossexual.
"Você tem que entender que eu sou filho único, que os filhos únicos são seres infelizes", declamou o saudoso Cazuza, narrando o cotidiano de quem não tem irmão, nos versos da música "Filho Único". Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul resolveu pesquisar como é a vida do filho único, se de fato é diferente da realidade de pessoas que têm irmãos e se ele é um ser infeliz.
O estudo, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria (Volume 26, nº1), avaliou o relacionamento do filho único com seus pais, amigos, além de investigar seu desempenho escolar e comportamentos social e sexual. Para a análise, os pesquisadores abordaram 360 estudantes da terceira série do ensino médio, de uma escola privada de Porto Alegre.
Os jovens, entre 15 e 19 anos de idade, preencheram um questionário, que abordava pontos como escolaridade dos pais, ordem de nascimento - se o jovem era filho único, primogênito ou não primogênito - tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e uso de drogas ilícitas. Questões que avaliavam o desempenho escolar, comportamento social e sexual desses jovens também faziam parte do questionário.
Entre os jovens, 8% eram filhos únicos, 35% primogênitos e 57% não primogênitos. A maioria dos filhos únicos eram homens, com idades entre 15 e 16 anos, segundo o estudo. "A prevalência 8,1% de filhos únicos está de acordo com a redução do tamanho médio das famílias, detectado pelo IBGE, particularmente entre famílias de maior nível socioeconômico", explicam os pesquisadores.
Filhos únicos obtiveram melhor desempenho escolar do que os filhos com irmãos, de acordo com os resultados da pesquisa. Entre os filhos únicos, 17,2% tiveram média de notas entre 9 e 10, enquanto, entre os primogênitos, 5,6% tiveram essas notas e apenas 2,9% entre não primogênitos. Sobre as preocupações com o futuro profissional, os jovens não apresentaram diferenças significativas: "a descrição de que os filhos únicos convivem predominantemente com adultos durante a infância sugere que eles sejam mais maduros e assumam comportamentos adultos mais precocemente do que os demais. Neste estudo, as preocupações com o vestibular e a profissão foram semelhantes entre os filhos primogênitos, não primogênitos e únicos", diz o estudo.
Sobre o relacionamento com os pais, o estudo revelou que a maioria dos escolares respondeu manter um relacionamento bom ou excelente com os pais (87%). Quando perguntados sobre como os adolescentes gostariam que os pais fossem, as respostas foram diferentes entre filhos primogênitos e únicos. Entre os filhos sem irmãos, 76% gostariam que os pais fossem assim como são, resposta dada por 69% dos filhos primogênitos. Mas quanto à flexibilidade, 30% dos filhos únicos queriam pais mais flexíveis, opção escolhida por 17% dos primogênitos.
"Contrariamente à impressão de que os filhos primogênitos tendem a ser diferentes dos demais, neste estudo não se detectaram diferenças entre filhos únicos, primogênitos e não primogênitos quanto ao relacionamento com os pais, presença de namorada e prática de esportes", garantem os pesquisadores. De acordo com o estudo, algumas diferenças surgiram apenas na prática de algumas atividades, como o acesso à internet, por exemplo, - atividade individual e sem interação pessoal - rotina mais adotada pelos filhos únicos.
O estudo também identificou que filhos únicos abusam menos das bebidas alcoólicas. Entre eles, 39% relataram a ocorrência de algum evento dessa natureza, enquanto 72,3% dos adolescentes com irmãos afirmaram que já beberam além da conta alguma vez na vida. "Talvez uma maior supervisão parental direta, em função do menor número de filhos em casa, possa explicar esse menor número de episódios de intoxicação alcoólica nos filhos únicos", justificam os pesquisadores.
Mas, quando o assunto é comportamento sexual a situação muda completamente. Filhos únicos, segundo o estudo, iniciam a atividade sexual mais cedo do que os filhos que têm irmãos. E outro dado chamou atenção dos pesquisadores: entre os filhos únicos foi encontrada menor taxa de auto-identificados como heterossexuais. "A bissexualidade ainda não resolvida ou a identidade sugerida como homossexual não parece ser resultado da confusão por idade e gênero", aponta o estudo.
Esses resultados contradizem o que foi revelado por pesquisas anteriores, que sugeriam que a identidade homossexual parecia estar associada a um maior número de irmãos. "É possível que nossos achados reflitam mais uma associação entre ser filho único e um maior tempo para amadurecimento da identidade heterossexual do que propriamente uma associação com identidade homossexual estabelecida", afirma o texto.
Os pesquisadores concluíram que filhos únicos apresentaram algumas características diferentes dos filhos que têm irmãos, como a questão da iniciação sexual precoce e da identificação de sua própria sexualidade. Contudo, "por outro lado, não se confirmaram as diferenças de comportamentos maduros, prática de esportes, interação com amigos e atividades de lazer com a ordem de nascimento", esclarece o texto. Dessa forma, o estudo sugere que ser filho único não parece estar associado a uma pior evolução em várias áreas do desenvolvimento avaliadas. É, parece que o Cazuza estava errado...
Fonte: Agência Notisa
Publicado em: 22/12/2004
Pensei que estivesse grávida! Que sustão!! Para quem decide ter um só filho, é uma sensação de ameaça à união do trio! É claro que se esta gravidez fosse verdade, nós nos uniríamos em prol de amar mais este bebê que estaria a caminho, mas... Admito que sermos um quarteto não estava em nossos plano, pelo menos no meu e no do meu marido...
Graças a Deus (e aos anticoncepcionais!), foi alaerme falso. Fiquei sem menstruar um mês, fiz exames de farmácia, de sangue e tudo deu negativo. Voltei a menstruar novamente.
Procurei meu médico para vermos a possibilidade de eu fazer a laqueadura, mas ele disse que com apenas um filho e com 38 anos ele não faz... É... Não enho direito ao planejamento familiar...
Trocarei de médico e estou pensando em colocar um diu. O que acham? Alguém já usou?? Me digam como é! Um abração, Nina.

terça-feira, 23 de março de 2010

Blog da Renata Miranda: Esconderijo:http://esconderijodarenata.blogspot.com/

Texto da blogueira Renata Miranda Raganin. Tudo de bom!!!

Fico me perguntando qual deve ser minha resposta quando me questionam exageradamente sobre ter ou não outro filho. Fico pensando onde está escrito que tenho que ter obrigatoriamente dois ou mais filhos para ser considerada “normal” para os padrões da sociedade.
Porque as pessoas cobram isso? Porque sem saber nosso histórico de vida ficam insistindo com perguntas desagradáveis fazendo um dramalhão mexicano dizendo que deixar um filho sem irmãos no mundo é muito triste. Triste porquê?
Triste seria se ele não estivesse rodeado de amigos, com amor, atenção e carinho integral dos pais, fosse isolado do mundo sem comunicação com mais ninguém. Triste seria se fosse cheio de irmãos com uma mãe sem tempo para todos, estressadíssima, sem dinheiro para nada, porque se uma criança interfere drasticamente no orçamento doméstico, imagina três ou quatro a mais dentro de casa para sustentar. Triste seria não ter disposição para conversar e fazer um carinho tranqüilo depois de um dia exaustivo de trabalho porque tem que dar jeito em todos ao mesmo tempo. Muitas mães conseguem fazer isso com maestria, mas eu não. Eu preciso do meu tempo, do meu momento de silêncio, de paz, de tranquilidade, mesmo adorando ser mãe.
Escolhi ter filho único depois de dois anos e meio de tratamento sem sucesso para ter o segundo filho. Decidi que seria bom poder proporcionar uma qualidade de vida melhor para o meu filho, que por ser um só pode ir para a melhor escola, ter os melhores cursos e aproveitar o melhor dos pais com mais calma. Com isso sobra mais tempo e mais dinheiro para a família toda viajar e aproveitar a vida com mais lazer. Basta ter uma boa estrutura familiar (psicológica) e saber educar esse filho com consciência de que ele não é o centro do universo e observar para que ele conviva com muitos amigos e primos para que não se sinta tão só.
Hoje os tempos são outros e educar e transformar esse filho num adulto bem resolvido e com sucesso em suas escolhas profissionais e de vida, é extremamente difícil e torna-se menos complicado quando temos um filho apenas para nos dedicarmos.Tempo e dedicação, criar filho não é fazer bolo todo ano e nem achar que é levá-lo todo fim de semana para fast food. É educar, pagar dentista, médico, farmácia, controlar as notas na escola, triglicerídios, colesterol e se está acima ou abaixo do peso.Educar bem uma criança é algo que exige muita paciência, dedicação e busca constante de informações. É abdicar de um tempo que se poderia estar fazendo outra coisa infinitamente mais prazeirosa. Passar valores, pensar a longo prazo, corrigir, dar limites, prepará-lo para o mundo.Acho dois filhos um bom número. Acho importante poder dividir a vida com um irmão. Mas não consegui fazer esse irmão e estou feliz com meu Guilherme. Só espero que as pessoas percebam isso e cuidem de suas vidas sem interferir no que não é de sua conta. Respeitando as escolhas dos outros observando suas palavras grosseiras quando questionam o porque das coisas.Aqui concluo o texto, mas vou complementar abaixo com perguntas frequentes que me fazem e que se você, como eu, se indigna com essas pessoas aqui vai algumas respostas que imagino enquanto elas falam comigo e dou um sorrisinho amarelo enquanto as escuto:Mas você só vai ter um filho?????????????????????(A quantidade exagerada de pontos de interrogação é de propósito, nessas horas me sinto uma alienígena com três seios e quatro olhos)Sim, porque? Tu pretendes pagar o tratamento de fertilização, sustentar e criar o outro pra mim?Mas você vai ser tão desnaturada a ponto de deixá-lo sozinho na vida sem irmãos?A princípio eu não queria ser assim tão desnaturada, desalmada, malvada e desumana porque tentei fazer outro filho e não deu muito certo, eu estava virando uma baleia e inchando meus ovários até quase explodí-los, ficava tonta, com ânsia de vômito e tinha que controlar a temperatura de todos os buracos do meu corpo a cada período de ovulação, além de perder a paciência com testes de gravidez negativos que estavam me causando frustração e tristeza.
Passava cinco dias seguidos por mês me deparando com um aparelho de ecografia transvaginal para ver se a ovulação estava ocorrendo e depois de toda essa intimidade, tinha que olhar para a cara do médico na fila do pão no supermercado. Já estava ficando chato! Me dei conta que não tinha dinheiro para inseminação artificial, porque não queria gastar com tentativas e até gastaria se fosse uma vez só e com resultado certeiro mas prefiro curtir meu filho único e viajar com ele por aí com esse dinheiro. Fora isso, ele tem primos e vive num ambiente rodeado de amigos da idade dele. Com certeza terá apoio quando a mamãe e o papai estiverem com Alzheimer e ele tiver que nos colocar numa clínica geriátrica chiquérrima para seguir com sua vida. E quando morrermos não terá que esperar sete anos para um inventário ser concluído. Ficará com a herança e pronto! Simples assim! Partidão esse meu filho, hein? Aliás, já vou avisá-lo que herança não entra em partilha de casamento para minha futura nora não se adonar do que é meu. Ai,ai,ai!Mas imagina que triste você só com um filho no natal e sem poder ter aquela família grande para compartilhar as coisas da vida? E quando você ficar velha, como vai ser?Minha filha, venho de uma família enorme e meus natais são mais agitados que uma escola de samba em sábado de carnaval. Natal pra mim é família toda, mãe, pai, cachorro, papagaio, periquito, bisavó, namorada do primo do tio na mesma casa fazendo um festão e comendo até estourar, portanto não existe a possibilidade de natais tristes na minha vida com a melancólica cena: mamãe, papai e filho mudo sentado na mesa na ceia de natal.E quando eu ficar velha meu filho vai estar velho comigo porque fui mãe nova e to podendo... Sou inoxidável! Quando eu tiver sessenta e cinco anos ele terá 41 e eu pretendo estar na minha décima lipo, com uma carinha de 45 que é só o que imagino quando entupo a pele de Renew todos os dias. Viajando muito, curtindo muito a minha vida e quem sabe me encontrando com ele de vez em quando em algum lugar do mundo numa das nossas viagens malucas por aí. Sim, porque se você calcular quanto um filho gasta em vinte anos, se colocar na poupança o dinheiro do filho que você não teve, vai dar para fazer tudo isso e muito mais. Acredite! Logo, ter filho único não é tão ruim assim. Além disso eu elimino aquela fase que eles tem de disputas e brigas que tiram qualquer um do sério e se meu filho se envolver com drogas terei que internar só um. Muito mais fácil.Mas existe a velha frase: Quem tem um não tem nenhum. Seu filho pode morrer e você não ter outro pra te consolar.Bem, a perda de um filho é a maior dor que pode existir para uma mãe. Se você perde os pais, fica órfão. Se perde o cônjuge, fica viúvo. Perder filho é tão horrível que não existe nem nome pra isso. Mas viver é um risco e podemos inclusive perder dois, três ou quatro filhos num mesmo acidente. Não existe nada que amenize essa dor. Que isso nunca me aconteça, mas por você me dizer um absurdo desses eu gostaria que te desse uma diarréia e um vomitório de cinco dias seguidos para nunca mais dizer algo tão negativo para uma mãe de filho único, sua broaca! Te some da minha frente! Vai envenenar outra mente!Mas você já tentou outros tratamentos? Sei de um ótimo que pode explodir o útero te dar uma gangrena e te levar a morte, mas as chances de engravidar são excelentes!Pôrra! É da minha saúde que estamos falando! Preciso estar viva para criar o filho que já tenho e com mente e corpo saudáveis para conceber esse segundo filho. Não vou correr riscos me entupindo de boleta e interferindo no funcionamento do meu organismo para fazer bonito para os porta-retratos com a família tradicional papai, mamãe e um casal de filhos. Vai cuidar da sua vida pô! Tenha quinze filhos se quiser, mas CASTABOCA!Dá ou não dá vontade de responder assim? kkkkkkPara as mães de filhos únicos aconselho um livro maravilhoso: "Criando Filho Único" de Carolyn White. Editora M.Books.Um erro que foi cometido não precisa ser repetido — se os pais tiverem ciência de como evitá-lo. Com base nas experiências de vida de Carolyn White – editora da revista Only Child, mãe e educadora – e centenas de entrevistas com filhos únicos e pais de filhos únicos, o livro Criando Filho Único mostra e celebra as recompensas de ter filho único e as oportunidades especiais de relacionamento e interação no ambiente familiar.
É perfeito e nos faz ter a visão à longo prazo do que devemos fazer hoje para torná-los bem sucedidos na vida amanhã, sem deixar aquele velho paradigma de que “filho único é problemático” atrapalhar nossas vidas, além de nos fazer refletir que não estamos aqui para agradar os outros e ter filhos baseados na opinião de quem nada sabe sobre o porque de nossas escolhas.Que fique claro que o texto de hoje não é uma crítica a quem tem mais filhos, mas um desabafo de quem tem um filho único e decidiu que vai ser feliz assim sem se sentir culpada por não seguir os padrões considerados “normais” pela sociedade, aproveitando todo o lado bom de se ter só um. Apenas isso.
Mas se por acaso eu engravidar, comunicarei imediatamente as “questionadoras de plantão” e prometo cancelar a viagem para a Europa em 2011 para sobrar mais dinheiro para fraldas, babá, remédios e pediatra, prometo ok? Agora com licença que a MINHA VIDA tá me esperando.